Empurrões Locais

James Connolly

20 de agosto de 1898


Primeira edição publicado em The Workers' Republic, em 20 de agosto de 1898.

Fonte para a tradução: seção em inglês do Arquivo Marxista na Internet.

Tradução e HTML: Guilherme Corona.

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O argumento feito por um de nossos contribuintes na edição da última semana, que a ação da Executiva de 98 de fixar a data para a Demonstração de Wolfe Tone em 15 de agosto, um festival católico largamente reconhecido, teria terríveis consequências, já foi justificado.

O retorno do contingente de Belfast, de Dublin para a antiga cidade, foi feita na ocasião de uma explosão sectária nas ruas, no curso da qual protestantes e católicos discutiram da maneira mais bela, com um espírito verdadeiramente cristão.

E provaram sua doutrina ortodoxa,
Com socos e chutes apostólicos.

Aquele que batesse mais forte se sentia o mestre da teologia mais razoável, e aquele que os golpes não afundavam os crânios dos oponentes estava, sem dúvida, atormentado pelos escrúpulos conscienciosos da sua própria ortodoxia.

E quando trabalhadores católicos e protestantes faltaram ao trabalho na manhã seguinte para procurar o remendo necessário para seus crânios, os empregadores católicos e protestantes suspenderam seus salários de acordo com a mais bela imparcialidade.

Louvo o empregador de trabalho pela imparcialidade rígida no seu tratamento entre trabalhadores de diferentes crenças. Se o empregador católico pode obter mais lucro de um trabalhador protestante do que de um católico, ele não permite que seus escrúpulos religiosos lhe impeçam. Oh, não!

Ele prontamente despede seu correligionário e contrata o homem que lhe dá o maior lucro. E o empregador protestante é igualmente razoável (sic) no seu tratamento com o trabalhador protestante.

Harland e Wolff, Belfast, são grandes protestantes e Unionistas, e também são seus trabalhadores. Mas no processo da disputa industrial no ramo da construção de navios alguns anos atrás, o empregador protestante fez locaute com os trabalhadores protestantes e os deixou passar fome, ou tentou fazer, para poder sujeitá-los.

O Sr. Alderman Meade e a Associação dos Mestres Construtores por um lado e as compras de construções por outro apontam a moral do lado católico para leitores de Dublin, que não esqueceram a disputa de 96.

Para a classe empregadora, como um todo, podemos precisar aplicar os termos empregados por John Mitchel para a sua seção anglo-saxã. Escutem -

Eles veneram dinheiro, eles não rezam para nenhum deus exceto o dinheiro, eles comprariam e venderiam o Espírito Santo por dinheiro, e eles acreditam que o mundo todo é criado, sustentado e governado, e só pode ser salvo pela única verdadeira, imutável e toda-poderosa £ esterlina.

Então, oh, meus Irmãos de Belfast, vocês não deveriam fazer da sua cidade um escandâlo para a Europa, com lutas sem sentido sobre dogmas religiosos, enquanto vocês derramam o sangue enebriado um dos outros pelas ruas, a classe dominante na indústria e na política calmamente se senta mais firmemente sobre suas costas e coloca suas mãos mais fundo em seus bolsos.

Considere, nossos mestres lutam sobre religião quando seus bolsos estão envolvidos? Não. A única união do Autogovernista e do Unionista que nós tivemos na última geração foi aquela sobre a Questão das Relações Financeiras, não foi em uma questão de princípio, mas de bolsos.

A Questão das Relações Financeiras não importa para os trabalhadores da cidade ou do campo. Nossos salários como trabalhadores são fixados, grossamente falando, pela nossa competição pelo emprego. Se há muitos desempregados, nossos salários serão baixos; se há poucos ociosos, nossos salários podem ser altos; mas se nossos mestres pagam pesada taxação direta ou nenhuma, isso não afeta nossos salários.

O mesmo com os posseiros nos distritos do campo. Seus alugueis são fixados pela Corte da Terra em proporção, não ao valor da terra, mas à sua capacidade de pagar. Ao estimar essa habilidade, impostos são levados em consideração assim como os preços do produto agrícola.

Se, não somente a sobre-taxação da Irlanda (?), mas todos os impostos fossem abolidos amanhã, a Corte da Terra veria neste fato uma razão porque o posseiro, tendo seus custos reduzidos, poderia pagar maior aluguel, e aumentaria este proporcionalmente.

A agitação das Relações Financeiras é meramente uma luta entre capitalistas e latifundiários irlandeses, e capitalistas e latifundiários ingleses. O povo trabalhador não pode esperar nada de bom como resultado da luta, exceto, talvez, que ela termine como a famosa luta entre os gatos de Kilkenny - na destruição mútua de ambos os lados.

A única Relação Financeira com a qual a classe trabalhadora está preocupada geralmente pendura três bolas douradas.

Oh, minha alma profética, meu tio.

O banquete de comemoração na Mansion House produziu alguns resultados curiosos, eu não sei se foi por conta da bebida ou da animação, ou ambos combinados, mas certamente os oradores pareciam misturar suas opiniões e sentimentos de uma maneira maravilhosa.

Nosso Lorde Prefeito foi especialmente feliz (?) em suas considerações.

"Ele foi ele mesmo", garantiu para a audiência, "descendente do povo que teve que correr do seu lar camponês para as montanhas para escapar da perseguição." Ele esqueceu de apontar a moral, a qual só podemos advinhar. Talvez ele queira dizer que visto o fato que ele tinha se decidido que ele, pelo menos, não pretendia ser forçado a correr para as montanhas se agir com servilismo o mantesse em casa.

Então ele se apressou em fazer a chocante declaração - chocante em tal momento e lugar - que "ele defendeu que os irlandeses poderiam se governar melhor, e poderiam fazê-lo melhor sob a Lei Inglesa".

O Lorde Prefeito Tallon não correrá para as montanhas se ele souber. A Mansion House é boa o suficiente para ele. As montanhas podem esperar.

Pobre Wolfe Tone. Viveu, lutou, e sofreu pela Irlanda para que um riquinho arrogante, um prepotente, pudesse explorar sua memória para seu próprio ganho.

O Lorde Prefeito Tallon também é dito ter afirmado que "depois de muitos anos de residência em Dublin ele era um irlandês tão bom quanto quando chegou lá." O que isso significa?

Nós devemos entender que ele considera o povo de Dublin tão ruim que ele deveria ser elogiado pela sua tenacidade em se manter patriótico na companhia deles?

Se não o que ele quer dizer? Talvez isso, embora, não seja uma questão justa. Talvez o vinho fosse bom. Talvez a capacidade do nosso Lorde Prefeito para assimilar licores não seja maior do que sua capacidade para fazer sentido.

O que é dizer muito.

O Sr. John O'Leary, sob a desvantagem da idade, e, consequentemente, não é seguro aceitar como literalmente corretos qualquer relatório jornalístico do seu discurso. Então eu só posso esperar que suas proclamações no banquete, como relatadas, não sejam seus exatos sentimentos.

É relatado que ele disse, "Ele preferia infinitamente que a Irlanda esteja sob suas próprias leis, não sob as leis inglesas," o que é claro é correto o suficiente. Isso todos dizemos.

Mas ele continuou, "Ele não se importava se fosse uma república, uma monarquia absolutista, ou uma monarquia limitada." De acordo com esta teoria, se a Rainha da Inglaterra viesse para Dublin e fosse coroada Rainha da Irlanda, as aspirações dos Nacionalistas irlandeses estariam satisfeitas.

Alguns dos nossos teóricos revolucionários do tipo político se dedicam a criar grandes esperanças na possibilidade de uma aliança entre a França e a Rússia contra a Inglaterra. Se isso acontecesse e tropas russas chegassem a Irlanda, expulsassem a Inglaterra e então coroassem o Czar o monarca absoluto da Irlanda, de acordo com a teoria do Sr. O'Leary, nós seríamos livres.

Mas talvez me digam que esta não é uma suposição justa, porque o Czar não governaria então pelo consentimento livre do povo irlandês, mas pelo poder das suas baionetas. Mas alguma monarquia absolutista já governou somente pelo consentimento do seu povo? Ela não dependeu sempre das suas baionetas?

Nossos amigos só objetam a tirania quando ela é inglesa? Eles abraçariam suas correntes se elas fossem garantidamente de produção irlandesa?

Mas se nossos amigos pensarem somente de Reis irlandeses nativos, que eles encarecidamente nos digam onde encontrá-los.

O gentil e cortês Tim Healy servirá?

Como isto aparecia em nossos joranis. "Sua Alteza Real Timothy I, Rei de Toda a Irlanda, organizou uma reunião hoje no Castelo de Dublin. Os Lordes Harrington, Dillon e Redmond compareceram como pajens. Entre outros presentes notamos T.P. O'Connor, escudeiro, que como carregador da caixa de tabaco real foi objeto de considerável admiração."

Isto, você dirá, caro leitor, é somente um gracejo. E é. Mas também é o discurso dessas pessoas que falam de se revoltar contra o domínio britânico e se negam a reconhecer o fato de que nosso caminho para a liberdade só sobre ser talhado pela forte mão do trabalho, e esse trabalho se revolta contra a opressão em todas as suas formas, não meramente contra a de peculiar marca britânica.

Todo o edifício da sociedade moderna hoje é construído sobre a opressão e sobre o saque do trabalho. A Soberana em seu trono, o nobre em seu palácio, o capitalista em sua mansão, o juiz no banco, e o advogado no bar são todos pensionistas do trabalho dos trabalhadores, e estão todos sentados como o Velho do Mar de Sinbad sobre as costas do trabalhador o levando para a morte social.

A política da classe dominante é somente uma briga de ladrões sobre a divisão do espólio. A política da classe trabalhadora é o esforço organizado das vítimas conscientes do roubo, para acabar com o sistema de sociedade que o faz possível.

O caráter misto de todos os discursos em conexão com o movimento de 98, no banquete e em outros lugares, prova conclusivamente que nossos líderes de classe média tem medo de confiar na democracia. No meio das suas mais fervorosas vituperações contra o Governo Britânico, surge diante do seu terceiro olho o espetáculo do povo trabalhador irlandês demandando Liberdade para sua classe da escravidão econômica de hoje.

E amedontrado o político de classe média abotoa os seus bolsos, e, colocando as mãos fundo nos bolsos dos compatriotas da classe trabalhadora, grita enquanto seus dedos se aproximam do espólio: "Sem questões de classe na política irlandesa."

Então nossa classe média se torna Autogovernista, secreta ou abertamente inclinada para a Constituição Britânica.

Qual é a diferença entre o Unionista e o Autogovernista? Resposta:Partindo do postulado que aceitamos a definição de Mitchel do Império Britânico, como "uma instituição pirata roubando e saqueando na avenida pública", devemos concluir que os Unionistas desejam manter o povo irlandês como súdito do Império Britânico, o Autogovernista deseja erguê-lo à dignidade de cúmplice.

E o Republicano Socialista deseja jogar todo o Império e todas as suas instituições fraudulentas na lata de lixo.

E uma vez que é efetivamente retirado da face da terra, a qual por tanto tempo amaldiçoou com sua presença, se ele se juntar aos anjos acima ou aos políticos abaixo não é de interesse de

SPAILPÍN